Lírica Etílica
sexta-feira, abril 28, 2017
  Grave esse dia
Hoje é dia de greve.
Greve geral, total.
Que tudo pare
o tempo, corpos celestes,
Deus em seu banheiro privativo
Em um paraíso-condomínio particular.
Que a convulsão seja
um momento de comoção, conversão
de males unidos
em um fim dado,
uma movimentação
para um novo paradigma total
de quem faz o mal
e o que é o bem.
Grave esse dia.
não pelo o que ele é
ou será.
       pelo que devia ser.


Ainda que eu não acredite no futuro desse país, ou qualquer outro país. O mundo é feito de idiotas. Creio que não seria tão ruim, e apenas isso, não tão ruim, se houvesse um novo senso comum ao pensamento coletivo e individual, um senso de que todos são idiotas. Eu rezo por esse momento para o deus dos ateus.  Rezo que as pessoas parem de ler livros de auto-ajuda e o biografias de supostos gênios infalíveis. - Não, Steve Jobs nunca foi tudo isso. O Bill Gates roubou o ladrão, mas todo dia isso acontece na prisão. A Madona não seria o que ela é se tivesse nascido no Brasil e jamais tivesse acesso a fábrica de celebridade globais que é Manhattan. Convenhamos, até o lixo e a estética marginal novaiorquina foi exportada como artigo de luxo, ou você conhece um Basquiet do pixo em Sampa? O funk carioca jamais será cantado em Aramaico, tal como o RAP do Brooklin. -Ninguém é tão bom assim, a condição social apenas permite que as pessoas atinjam ou não suas potencialidades. Alguns com potencialidades enormes e em condições excecionalmente propicias não chegam a nada, enquanto Thomas Edisson, sem nunca ser genial (Posso estar equivocado, caso teimosia seja considerada genialidade), é o pai da nossa sociedade elétrica. No final esteja ciente: é tudo acaso e ocaso, um dado caindo do espaço profundo e atingindo a terra destruindo e criando vida.

Mas e ae? E ae nada. Esses livros-documentários-conversas no metrô sobre como devemos ser perfeitos (ou somos) são apenas lixo otimista. Lixo que nos impedem de observar a realidade. Uma realidade bem simples: Sim, somos todos idiotas. Estamos só apenas a um instante de fazer aquela cagada monumental que nos fará sermos lembrados como os idiotas que sempre fomos. Aquela cagada sem volta que fazem as pessoas relembrarem e buscarem momentos nossos. Fazem a sociedade iniciar uma busca por indícios de que iriamos fazer isso, iriamos fazer uma merda monumental, destruindo a nós e outros que estavam perto demais. E sim, eles, esses momentos, sempre estarão lá. Estão e estarão porque somos idiotas, cometendo pequenos, ou grandes, deslizes diários, deslizes que acabam sem grandes consequências ou sem grandes atenções, mas invariavelmente cometendo.

E o pior, cometendo atrocidades e fingindo que somos perfeitos, afinal, o inferno são os outros. Fingindo que não somos nós, esses seres sociais, agentes-células desse corpo social que nos une em um equilíbrio estável delicado sempre a um passo de convulsionar em destruição e aniquilação mutua: "Nós não somos responsáveis". É sempre o vizinho, o político, o profissional dá profissão que não é a sua, ou os maus profissionais da sua área. Alguém, um qualquer, um passante na rua em um momento de distração. É sempre alguém que não eu. Em quem minha culpa cair.

E vamos todos juntos amarrados por grilhões de celulares, estradas, palavras e meios que nos tornam mais do que mentes presas em corpos separados, vamos juntos nesse ciclo de desgraça e tristeza mutua bom o suficiente apenas para sua preservação eterna.

Grave esse dia, torça que ele seja um momento de mudança para algo melhor. No final será para geral.
 
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